Depressão é doença multifatorial e pode trazer prejuízos físicos para o indivíduo

Incapacitante, a depressão é a doença que mais retira anos de vida saudável do brasileiro. Mesmo assim, o tema ainda é cercado de muitos preconceitos e tabus que, frequentemente, vêm dos próprios pacientes, impedindo a busca por orientação médica e tratamento.

“É preciso compreender que a depressão é uma doença multifatorial, que afeta o corpo de uma forma sistêmica. Além dos sintomas psíquicos, causa prejuízos físicos, como alterações de sono e apetite, cansaço e aumento de quadros infecciosos e inflamatórios”, explica a psiquiatra Giuliana Cividanes, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Diferente do que muitos acham, a depressão não se trata de “fraqueza”, “preguiça” ou “frescura”. “A doença causa intenso sofrimento e impede que a pessoa tenha uma vida plena. A melhor forma de ajudar é dar apoio e entender o paciente, encorajando-o a buscar tratamento”, orienta a médica.

Para incentivar os diagnósticos no Brasil, é preciso conscientizar a população de que a depressão não é apenas “coisa da cabeça”: nos casos mais graves, ela pode impedir o paciente de sair da cama e desempenhar tarefas simples do dia a dia, aumentando, inclusive, as chances de desenvolvimento de outras doenças.

“Informação e conhecimento é essencial para ajudar a vencer a barreira do preconceito. Felizmente, o tema tem ganhado espaço na mídia, com casos de famosos que também sofreram com a depressão e compartilharam suas histórias de superação. Isso humaniza o tema e traz à tona uma realidade que sempre esteve escondida: nós sofremos sim e precisamos de ajuda”, finaliza a Giuliana.

Giuliana Cividanes é psiquiatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).