Tratamento multidisciplinar aumenta as chances de cura da depressão

A depressão é uma doença multifatorial, que afeta de 8 a 15% dos brasileiros e mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo. Suas causas incluem desde fatores genéticos até experiências de vida e aspectos da personalidade do paciente. “Estudos atuais mostram que há interação entre fatores genéticos e ambientais no desencadeamento da doença. Assim, certos estímulos ou traumas podem ativar ou desativar alguns genes, aumentando as chances de ocorrência da doença”, explica o psiquiatra Marcelo Feijó de Mello, chefe do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Considerando que a depressão está associada a um conjunto de causas – e não a um único fator desencadeador – é importante que o paciente receba tratamento multidisciplinar, ou seja, com acompanhamento de diversos especialistas. “Essa abordagem é uma tendência em todas as áreas da medicina, pois amplia as possibilidades de cura e melhora na qualidade de vida do indivíduo”, diz Mello. “No caso da depressão, além do acompanhamento com o psiquiatra, é possível contar com o psicoterapeuta, terapeuta ocupacional, enfermagem especializada e, até mesmo, o assistente social, que poderá ajudar na reintegração daqueles que ficaram um longo período deprimidos”, indica.

Segundo o especialista, a psicoterapia traz bons resultados quando associada ao tratamento medicamentoso nos quadros mais leves ou em casos nos quais os gatilhos da doença são muito claros, como o luto, fases de transição da vida e conflitos pessoais, entre outras causas. “O acompanhamento psicoterápico também é indicado para pessoas que passaram por traumas na infância ou possuem problemas de personalidade associados à depressão”, completa. Para promover a ressocialização, também é recomendado que a pessoa retome, aos poucos, as atividades que fazia antes e, até mesmo, adquira novos hobbies que o incentivem.

Marcelo Feijó de Mello é doutor e mestre em Psiquiatria pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pelo Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE-IAMSPE). Possui pós-doutorado em Neurociências pela Brown University e atua como chefe do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina da Unifesp.

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